POR JUREMA DE AVELLAR

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Se você é brasileiro responda logo ligeiro,

Como vê a sua terra, como vê a sua raiz?

Fala a língua portuguesa, que tem tanta beleza,

Que conta belas passagens, te fazem sorrir feliz!

De onde veio essa gente, de qual distante continente,

Com a sorte contando, trabalhando e guerreando.

Debaixo de sol e de chuva, as estrelas seguindo,

Buscando o Novo, deixando de lado o velho Oriente.

E o que enfim encontraram, bravos conquistadores?

Além de praias desertas, selva toda fechada,

Animais podiam ser , seres humanos, quem sabe?

Gente tão diferente, de aparência inocente,

Que até sem roupas andava. …


POR JUREMA DE AVELLAR

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Dizem que o coração não sente dor, apenas se rebela com o gasto e se retira. Será? Falarei aqui de um grande vilão, nosso companheiro: o Amanhã. Ao longo da vida, você perde momentos preciosos exercendo as obrigações, seguindo a linha prática das tarefas, espiando com medo o esvair do tempo, sempre resumido. A noite te reserva o resumo antecipado do dia seguinte, cheio de repetições, às vezes até com maiores desafios e a sensação de que não houve espaço para praticar o carinho, o amor. Mas não há o que fazer, o dia se foi…

Vivemos sob o lema do Amanhã. …


POR JUREMA DE AVELLAR

Sete e meia, hora da missa Rob!

Espreguiçou-se olhando a figura à sua frente.

— Não vou.

— Como não? Eu te criei dentro dos preceitos…

— Não vou.

— … da fé cristã com todas as obrigações e …

— Já tenho dezesseis anos, percebeu?

Impropérios, ameaças. De alguma forma já estava se acostumando. Naquela manhã a professora falara, falara, mas Robson não ouvira. Isso acontecia às vezes, um transporte só seu.

— Come espinafre.

— Essa droga eu detesto, pô!

— Palavrão aqui dentro? Respeita tua mãe! — era o pai.

Impropérios, ameaças.

Lembrava-se do dia do casamento de sua irmã mais velha, quando fora obrigado a usar aquela ridícula gravata; reviu os movimentos de vizinhos e curiosos no portão pra ver a noiva e junto a eles os amiguinhos de rua, surpreendidos com a sua inusitada elegância, surpresa de passagem rápida para o riso. Um deles lhe disse no dia seguinte — parecias um fresco — o que resultou em uma bela escaramuça. …


POR JUREMA DE AVELLAR

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Remexeu o café no copo, misturando o açúcar, fazendo “boca” para o cigarro. A criançada corria pra lá e pra cá numa algazarra à qual já estava acostumado; juntava-se aos vizinhos da vila e os ruídos de risada e choro alternavam-se, coisas de todo sábado. Não tinha nada para fazer, só ver o tempo passar. Televisão era uma droga, nem um mísero futebol e ainda precisava aguentar as chatices das novelas, cachaça de mulher, rotina obrigatória do casamento e do seu resultado avassalador: QUATRO FILHOS!

— Dinheiro para comprar margarina, pai! — o mais velho estava à sua frente meio magricela, cabelo claro e liso, precisando de apara, pés sujos do campinho do lado. “É só gastar”, pensou, e deu a nota ao guri, que saiu aos pulos com o vira lata correndo atrás. Lembrou de si mesmo quando pequeno, era a sua cara. Impressionante que o outro molequinho também. As meninas saíram mais à família da Odette e uma delas levava o jeito de sua falecida sogra. …


POR JUREMA DE AVELLAR

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Não há mais o que discordar e, mesmo, não haveria Tempo. O Algodão deve ser colhido onde encontrado; seus fios trabalhados e amaciados pois precisamos envolver e proteger nossas Mazelas Morais. Proteção de Mãos e Pés para os Sãos, porque os que já se perderam envolvem tristemente os Crânios.

O Grupo da Esperança os vigia; afasta-os de empecilhos, águas polidas, espinheiros e abismos. E a Horda gira, gira, gira…

Às vezes, centenas se rebelam, gritam, ferem-se nas muralhas ásperas, agridem seus defensores e, depois de grandes esforços, esses dois exércitos caem, debilitados, sofridos, aparvalhados, olhando nos olhos de seus salvadores, Pés e Mãos suplicando o Algodão tranquilizante para lhes envolver as cabeças. …

About

Jurema de Avellar

Nasceu no Rio de Janeiro em 1941. Aprendeu a ler antes dos seis anos e escreve desde os sete. Dona de casa, mãe e avó, encontrou na escrita sua expressão.

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